Butão amplia aposta em cripto: staking de 320 ETH via Figment

Butão amplia aposta em cripto: staking de 320 ETH via Figment

O Governo Real do Butão depositou 320 Ethereum — aproximadamente US$ 1 milhão — na plataforma de staking Figment, conforme revelado pelo analista on-chain Lookonchain no dia 27 de novembro.

A transação marca o primeiro staking institucional realizado pelo país no Ethereum, consolidando sua estratégia de integração da tecnologia blockchain à infraestrutura estatal.

A operação reafirma o comprometimento do reino himalaia com o ecossistema cripto. A carteira governamental mantém mais de US$ 1 milhão em Ethereum não alocado, além de uma robusta posição em Bitcoin , com aproximadamente US$ 560 milhões em BTC em custódia.

Os ativos são administrados pela Druk Holding and Investments, entidade estatal responsável pelos investimentos estratégicos do país.

O staking via Figment representa mais do que uma simples aplicação financeira. Ao delegar validadores à plataforma institucional especializada, o Butão participa ativamente da segurança da rede Ethereum , obtendo retornos pelo suporte à infraestrutura.

Essa escolha demonstra confiança no valor de longo prazo do Ethereum e sua viabilidade como protocolo fundamental.

Esta iniciativa ocorre semanas após o lançamento do sistema nacional de identidade digital butanês, construído diretamente na blockchain do Ethereum . O projeto foi apresentado em outubro com a presença de Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, e Aya Miyaguchi, presidente da Ethereum Foundation.

O sistema posiciona o Butão como primeira nação a ancorar seu identificador nacional em um blockchain público descentralizado, marcando precedente na integração cívica da tecnologia.

A migração das credenciais digitais de todos os residentes do Polygon para o Ethereum deverá ser concluída até o primeiro trimestre de 2026.

Essa transição para um protocolo mais consolidado reflete busca por longevidade, segurança e maior descentralização. A abordagem alinha-se aos princípios de transparência e resiliência tecnológica defendidos pela comunidade Ethereum.

A estratégia cripto butanesa não se resume ao Ethereum . O país mantém posição relevante em Bitcoin , com aproximadamente 11.400 BTC em carteira, avaliados em cerca de US$ 1,3 bilhão aos preços atuais.

O Butão constitui a sexta maior reserva soberana de Bitcoin mundial, atrás apenas de Estados Unidos, China, Reino Unido, Ucrânia e Coreia do Norte.

Diferentemente de outras nações que adquiriram criptomoedas através de compras ou apreensões legais, o Butão obteve sua riqueza digital via mineração. O país iniciou operações discretas em 2019, aproveitando sua abundância de energia hidrelétrica renovável.

Com acesso a recursos energéticos de baixo custo e emissão zero de carbono, o Butão desenvolveu infraestrutura para minerar significativos volumes de Bitcoin . As operações utilizam pools de mineração como AntPool, Braiins e Foundry, respaldadas por fundo de investimento de US$ 500 milhões estabelecido em parceria com a Bitdeer, spinoff da Bitmain.

A capacidade de geração hidrelétrica do país supera seu consumo interno, criando oportunidade estratégica. Em períodos de maior fluxo hídrico durante estação chuvosa, as usinas produzem energia superior à demanda nacional.

O Butão enfrenta opção entre exportar eletricidade a taxas desfavoráveis ou canalizar o excedente para mineração, gerando retornos monetários superiores. Essa lógica econômica permitiu ao pequeno reino transformar recurso natural em ativo digital de valor global.

Semanalmente, as operações de mineração butanesas geram entre 55 e 75 Bitcoin, correspondendo a valores entre US$ 3,6 milhão e US$ 4,9 milhão. Essas cifras demonstram a escala das operações e contribuição relevante ao tesouro nacional.

Considerando a população butanesa de aproximadamente 800 mil habitantes, a riqueza cripto acumulada representa parcela significativa do produto interno bruto.

O Butão posiciona-se entre poucas nações que reconhecem criptomoedas como componente legítimo de estratégia estatal moderna. Enquanto El Salvador adota Bitcoin como moeda de curso legal, o Butão desenvolve abordagem distinta: acumula reservas estratégicas e integra blockchain a infraestrutura governamental crítica.

Essa dupla estratégia — staking de Ethereum para segurança de rede e identidade digital soberana — oferece modelo alternativo de engajamento cripto à escala nacional.

A expansão para Ethereum , historicamente marginalizada em estratégias cripto soberanas, sinaliza reconhecimento de que ecossistema blockchain vai além de Bitcoin .

O smart contracts do Ethereum , sua robustez tecnológica e capacidade de suportar aplicações complexas — como sistemas de identidade — o tornam infraestrutura essencial para economia digital moderna. O Butão demonstra que pequenas nações podem liderar inovação ao abraçar tecnologia descentralizada não como especulação, mas como fundação operacional.

Leandro Mendes - image

Leandro Mendes

Leandro Mendes é o elo entre a tecnologia e o mercado. Sua experiência em análise de projetos e Finanças o permite oferecer uma perspectiva única sobre a Carreira em Tech, o impacto das Fintechs e o futuro das Criptomoedas.