A busca por durabilidade e baixo custo de manutenção mantém a demanda por motores aspirados aquecida no mercado brasileiro, mesmo com o crescente domínio dos propulsores turbo. Modelos equipados com mecânicas simples e testadas ao longo de décadas oferecem vantagens práticas que justificam sua escolha, especialmente para quem prioriza economia e tranquilidade no dia a dia.
Dados de oficinas independentes e relatos de proprietários apontam que unidades como o Fiat Fire, Volkswagen EA111 1.6 e Toyota 1.8 VVT-i Flex continuam imbatíveis em quesitos como longevidade e facilidade de reparo.
O motor Fiat Fire 1.0 e 1.4 consolidou reputação de "inquebrável" desde seu lançamento no início dos anos 2000. Presente em modelos como Uno, Palio, Siena, Strada, Grand Siena e Mobi, o propulsor acumula registros de 350 mil a 400 mil km sem necessidade de abrir o motor, desde que a troca de óleo e manutenção básica sejam realizadas corretamente.
O baixo custo das peças reforça sua vantagem: um kit de correia dentada custa em média 30% menos que em rivais da Volkswagen e Chevrolet. A simplicidade mecânica facilita reparos e evita mão de obra cara, mantendo o Fire como opção vantajosa no segmento de carros populares. A unidade deve se despedir do mercado em 2025 devido às novas regras de emissões, com a família Firefly assumindo seu lugar.
A Volkswagen manteve durante décadas mecânicas robustas e versáteis. O motor AP, produzido entre 1985 e 2012, equipou Gol, Voyage, Saveiro, Santana e Passat, construindo fama de baixo custo de manutenção e longa durabilidade. Seu sucessor, o EA111 1.6, presente em Gol, Voyage, Saveiro e Fox, herdou essas características.
Oficinas registram unidades passando de 400 mil km sem grandes reparos, enquanto entrega consumo médio de 11 km/l na cidade e 14 km/l na estrada com gasolina. A versatilidade do EA111 permite bom desempenho tanto em uso urbano quanto em aplicações mais pesadas, como picapes leves, consolidando sua reputação de motor confiável e de manutenção acessível.
O Toyota Corolla construiu sua lenda de confiabilidade principalmente graças ao motor 1.8 VVT-i Flex, empregado no sedã desde 2008. O propulsor japonês com comando variável de válvulas praticamente não apresenta problemas graves, com casos documentados de veículos rodando mais de 500 mil km apenas com revisões regulares.
O equilíbrio entre desempenho e economia é outro trunfo: o Corolla com motor 1.8 alcança 11,5 km/l na cidade e até 14,2 km/l na estrada com gasolina, números excelentes para um carro médio. A alta liquidez no mercado de usados reforça o valor do conjunto, já que compradores reconhecem a manutenção previsível e baixa desvalorização associadas ao modelo.
A Chevrolet também deixou legado duradouro com a Família I, disponível nas versões 1.0, 1.4 e 1.6. Equipando sucessos como Corsa e Prisma, esses motores são reconhecidos até hoje por durabilidade e manutenção simples, permanecendo atraentes no mercado de usados.
A linha Ecotec, lançada em 2011, trouxe mais tecnologia e eficiência energética, mantendo a tradição de propulsores acessíveis e resistentes.
O motor 1ZZ-FE da Toyota equipou o Corolla e tornou-se referência mundial em suavidade e confiabilidade.
No Brasil, ajudou a consolidar a reputação da marca por veículos com longa vida útil e baixa manutenção, características que fizeram do sedã um dos mais populares do país.
A Hyundai entrou no mercado brasileiro com o motor Kappa 1.0, produzido na fábrica de Piracicaba (SP).
Equipando o HB20 desde 2012, o tricilíndro se destaca por eficiência e performance surpreendente para a categoria, com arrancadas e retomadas que não parecem ser de um motor "mil" aspirado.
O Honda 1.5, código L15B, equipa o City e entrega até 126 cv, mantendo eficiência e confiabilidade.
O propulsor multiválvulas superou em economia no ciclo urbano os motores da linha Yaris, consolidando a Honda entre as melhores opções aspiradas do mercado.
Por que esses motores sobrevivem ao tempo
A durabilidade desses propulsores está ligada a fatores-chave: simplicidade mecânica com menos componentes eletrônicos, projetos testados ao longo de décadas, peças acessíveis e baixo custo de reparo que evitam improvisos, além da manutenção preventiva adequada.
A troca de óleo e revisões regulares são determinantes para alcançar 400 mil km ou mais sem problemas. No mercado de usados, veículos com esses motores vendem mais rápido e perdem menos valor, justamente pela confiança que transmitem.
Perspectivas diante dos turbos
Com a disseminação dos motores turbo downsizing e híbridos, questões sobre longevidade dos novos projetos ainda são respondidas pelos números dos aspirados tradicionais. Embora turbos modernos ofereçam performance próxima a propulsores maiores com menor consumo, exigem mais cuidados com lubrificação, temperatura e peças específicas mais caras.
A manutenção correta pode garantir vida útil similar, mas o custo de reparo e complexidade mecânica permanecem maiores. Para o motorista que prioriza tranquilidade e economia, os motores aspirados listados continuam imbatíveis.

