A companhia aérea de baixo custo argentina Flybondi assinou um memorando de entendimentos com a Airbus e a Boeing para a aquisição de até 35 aeronaves, em um investimento estimado em US$ 1,7 bilhão.
O acordo marca um ponto de inflexão estratégico para a transportadora, que até então operava exclusivamente com aeronaves Boeing, e representa a maior expansão de frota desde o início das operações em 2018.
A aquisição compreende 25 pedidos firmes e 10 opções de compra, permitindo que a frota seja ampliada em até 230% nos próximos quatro anos.
Do total, 15 unidades serão do Airbus A220-300, com possibilidade de aquisição de outras cinco, enquanto a empresa encomendou 10 Boeing 737 MAX 10, com opção para mais cinco. A escolha pelo A220-300 tornará a Flybondi a primeira operadora do modelo na América Latina.
Os cronogramas de entrega diferem entre os fabricantes. As primeiras entregas do Airbus A220 estão previstas para o fim de 2027, com continuidade até 2029, enquanto os Boeing 737 MAX 10 devem começar a chegar no mesmo período, com conclusão programada para 2030.
O aporte será liderado pelo principal acionista da Flybondi, o fundo norte-americano COC Global Enterprise.
A decisão de incorporar duas famílias de aeronaves distintas marca uma transição operacional significativa. O Airbus A220-300, com capacidade para 160 passageiros, foi selecionado para operações domésticas e regionais em mercados de média densidade, oferecendo eficiência de combustível por assento e versatilidade operacional em rotas que exigem ajuste entre oferta e demanda.
O Boeing 737 MAX 10, maior variante da família MAX com capacidade para 240 passageiros, será destinado às rotas de maior demanda, particularmente às ligações entre Buenos Aires, Bariloche e Iguazú, bem como destinos internacionais.
A adoção simultânea de duas fabricantes exigirá investimentos adicionais em certificações, treinamento de tripulações, infraestrutura de manutenção e atualização de processos internos.
A transição será escalonada até a integração completa dos novos modelos na malha aérea. Apesar do histórico exclusivo de operações Boeing, a Flybondi já utiliza aeronaves Airbus A320 em operação ACMI durante períodos de alta demanda.
Os objetivos estratégicos da expansão incluem ampliar a oferta de assentos nas rotas domésticas, expandir a cobertura geográfica, reduzir emissões e consolidar mercados fora da Argentina.
Segundo Mauricio Sana, CEO da companhia, a nova frota permitirá "consolidar mercados fora da Argentina e abrir novas oportunidades na América Latina e no Caribe ao longo dos próximos cinco anos".
Quanto ao Brasil, a companhia identifica oportunidades de expansão no Nordeste.
Sana mencionou o potencial de conectar a Argentina àquela região, ressalvando a necessidade de análises adicionais antes de definir cronogramas e destinos específicos. Atualmente, a Flybondi opera em Rio de Janeiro, Florianópolis, Salvador e Maceió.
A companhia opera 32 rotas, sendo 22 domésticas e 10 internacionais, atendendo 23 destinos em Argentina, Brasil, Paraguai e Peru.
Além da expansão no Brasil, o executivo mencionou potencial em Paraguai e Peru, com retomada de rotas para Assunção e lançamento da ligação Iguazú-Lima. Futuras oportunidades na Colômbia e Bolívia foram mencionadas como condicionadas ao ambiente regulatório.
Em relação à dinâmica competitiva regional, Sana negou planos de fusões ou consolidações, reafirmando que "a independência é o que permite apostar em projetos como este", com compromisso de manter a independência pelos próximos três ou quatro anos.
O executivo reconheceu, entretanto, que o mercado latino-americano já apresenta polarização entre dois grandes grupos, Abra e Latam, refletindo um cenário de crescente concentração setorial. Recentemente, o Abra, controlador da Gol e da Avianca, anunciou acordo para integrar a companhia aérea chilena Sky ao grupo.

