Quando a Samsung apresentou o Galaxy Z TriFold em dezembro de 2025, não trouxe apenas mais um aparelho para expandir o portfólio de dispositivos dobráveis.
O lançamento marca um momento crucial na evolução da categoria: a materialização de uma das promessas fundamentais que sustentou toda a indústria desde o primeiro Galaxy Fold em 2019 — transformar um dispositivo portátil em verdadeira estação de trabalho sem necessidade de equipamento externo.
A funcionalidade de monitor secundário do Galaxy Z TriFold, acessada através da tecnologia Second Screen, representa essa convergência de objetivos. Quando conectado via Miracast a um PC com Windows, o aparelho pode servir como monitor adicional sem fios, expandindo o ambiente de trabalho sem depender de cabos ou monitores tradicionais.
A ativação é simples: na tela interna do TriFold acessa-se a página do Second Screen, enquanto no computador basta acessar Definições > Sistema > Ecrã > Ligar a um ecrã sem fios ou pressionar Windows + K, caso a máquina use versão em inglês.
Essa capacidade não é nova em tablets Galaxy, que há anos oferecem o Second Screen. Mas sua implementação em um smartphone dobrável representa uma quebra de paradigma.
O TriFold funciona, quando fechado, como telefone convencional com tela de 6,5 polegadas; ao abrir a primeira dobradiça, revela uma área ampliada; na segunda abertura, expõe painel de 10 polegadas que redefine o que significa portabilidade combinada com produtividade.
Essa tela de 10 polegadas não é um mero display expandido. O painel Dynamic AMOLED 2X LTPO oferece resolução de 2.160 x 1.584 pixels em formato QXGA+, taxa de atualização adaptável entre 1 e 120 Hz e brilho máximo de 1.600 nits.
A tela externa, por sua vez, alcança impressionantes 2.600 nits de brilho e protege-se com Gorilla Glass Ceramic 2, garantindo usabilidade em diversos cenários ambientes.
A engenharia que viabilizou essa configuração mereceu atenção particular. Duas dobradiças de tamanhos diferentes, reforçadas com trilho duplo em titânio e alumínio avançado, distribuem o peso e os esforços de flexão de forma equilibrada.
A Samsung submeteu o display a mais de 200 mil ciclos de dobra durante testes internos, equivalente a dobrar o aparelho aproximadamente 100 vezes por dia durante cinco anos.
O dispositivo alcança apenas 3,9 milímetros de espessura quando totalmente desdobrado, mantendo peso de 309 gramas. Essa compacidade torna a conversão de telefone para monitor secundário particularmente valiosa para profissionais em deslocamento.
Um executivo em videoconferência, por exemplo, pode usar o notebook para videochamada enquanto mantém planilhas, documentos ou chats abertos no painel do TriFold, tudo sem aumentar o volume ou peso da bagagem de viagem.
Internamente, o TriFold opera com processador Snapdragon 8 Elite for Galaxy, 16 GB de RAM e até 1 TB de armazenamento, garantindo fluidez até em cenários exigentes de multitarefa.
A bateria de 5.600 mAh, a maior que a Samsung colocou em qualquer aparelho dobrável, promete até 17 horas de reprodução de vídeo contínua com tela totalmente desdobrada, ressourcendo-se via carregamento super-rápido de 45 watts.
Mas a relevância do Galaxy Z TriFold transcende apenas a funcionalidade técnica.
A industria de smartphones dobráveis nasceu sob pressão de uma pergunta fundamental: por que dobrar? Durante os primeiros anos após 2019, críticos apontavam que a forma dobrável buscava solucionar um problema que consumidores não tinham — a necessidade de tablet compacto. A funcionalidade de monitor secundário reposiciona essa narrativa completamente.
Quando profissionais em trabalho remoto, criativos em produção móvel ou gestores em viagens frequentes podem transformar um aparelho de bolso em second screen wireless, a dobra deixa de ser estética e torna-se utilitária.
Permite-se ao usuário alternar entre uso compacto de telefone para atividades nas ruas e transformação instantânea em estação de trabalho dual-monitor ao chegar ao café ou escritório compartilhado.
O Samsung DeX, sistema que simula ambiente desktop, reforça essa versatilidade. No Galaxy Z TriFold, o DeX funciona nativamente na tela interna sem necessidade de monitor externo, operando até quatro espaços de trabalho distintos com cinco aplicativos por espaço.
Combinado com a função Second Screen, o aparelho oferece configuração praticamente idêntica àquela que custaria centenas de euros em monitores portáteis especializados.
No modo tablet expandido, cada uma das três seções do painel pode executar independentemente um aplicativo diferente, oferecendo equivalente a três smartphones de 6,5 polegadas funcionando lado a lado.
Profissionais que monitoram múltiplas fontes de informação — trader acompanhando mercados em múltiplas telas, designer consultando paleta de cores enquanto trabalha em projeto, jornalista editando fotos e escrevendo simultaneamente — encontram no TriFold ferramenta genuinamente transformadora.
A câmera de 200 megapixels com f/1.7 e estabilização óptica complementa essa proposta produtiva para criadores de conteúdo em movimento.
O conjunto completa com ultrawide de 12 megapixels e telefoto de 10 megapixels com zoom óptico de 3x e digital de 30x, além de duas câmeras frontais de 10 megapixels para videoconferências em alta qualidade.
O preço permanece como barreira significativa. A Samsung divulgou valores a partir de 3.594.000 won na Coreia do Sul, equivalente a aproximadamente 13 mil reais em conversão direta, com versões globais ultrapassando 2 mil euros.
Esse investimento substancial posiciona o TriFold não como substituto massivo do smartphone tradicional, mas como ferramenta especializada para segmentos específicos que genuinamente se beneficiam de suas capacidades únicas.
Ainda assim, o Galaxy Z TriFold consolida um ciclo de maturação. Há uma década, dobráveis eram ciência ficção materializada em protótipos frágeis. Havia cinco anos, eram curiosidades caras com software inadequado e durabilidade questionável.
Agora surgem como categoria estabelecida com propostas concretas de valor agregado. A função de monitor secundário não é o recurso mais importante do aparelho — é, porém, a validação de que a indústria finalmente respondeu à pergunta fundamental sobre por que aquela dobradiça existe.

