
A Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais apresenta, através da exposição coletiva De um chão que se imagina, um panorama vibrante da formação contemporânea em artes visuais oferecida pela instituição.
Realizada no Centro Cultural UFMG, a mostra reúne criações de 30 artistas em processo de conclusão de seus cursos de graduação, consolidando-se como espaço de transição entre a experimentação acadêmica e a prática artística profissional.
A curadoria de Fernanda Goulart, professora adjunta da EBA especializada em artes gráficas e pesquisadora da cultura visual urbana, articula trabalhos que refletem a multiplicidade de abordagens presentes na instituição.
Os formandos integram distintas habilitações oferecidas pelo bacharelado em Artes Visuais: Gravura, Escultura, Desenho, Artes Gráficas, Pintura e Licenciatura.
O diferencial da exposição reside na diversidade de linguagens apresentadas. Para além das técnicas tradicionais consagradas pela história da arte, as obras transitam entre pintura, gravura, videoarte, fotografia, livro de artista, poema-objeto e outras expressões contemporâneas.
Tal multiplicidade de suportes e técnicas manifesta a formação ampla e investigativa promovida pela instituição, que alinha a prática à reflexão crítica sobre o fazer artístico, estimulando os estudantes a pensarem nas implicações culturais, sociais e econômicas de suas produções.
Os artistas representados na mostra—Amanda Freire, Ana Bicho, Ana Cristina Torres Amorim, Ana Júlia Bicalho, Alanis Margarita, Alec Daniel, Bárbara Elizei, Cibelly Castro, Cristina Rovesse, Elis Rockenbach, Gabriela Carvalho, Gabrielle Iolanda, Gui Orzil, Ian Nogueira, Ítalo Carajá, Laura Dias, Leila Maria, Letícia Lourenço, Mariana Gurgel, Mariana Jorge, Marcos Miguez, Matheus Martins, Nana Coelho, Nícia Pontes Gouveia, Syl Triginelli, Tici Ribeiro, Thomas Macedo, Vitor Medeiros, Vitória Hatsune e Wladimir Pierre—apresentam produções que funcionam como testemunhos de um processo de amadurecimento profissional e de transição entre a vida acadêmica e a atuação artística consciente.
A estrutura curricular da EBA permite que cada estudante, após o ciclo básico dos dois primeiros semestres, concentre-se em sua habilitação específica, mantendo a possibilidade de explorar disciplinas optativas em outras áreas.
Este modelo favorece tanto a especialização quanto a experimentação interdisciplinar, refletindo-se nas criações apresentadas. O curso prepara profissionais versáteis, aptos a lidar com a imagem de forma refinada e crítica, seja para atuação em galerias, museus, centros culturais, agências criativas ou exercício autônomo da profissão artística.
No contexto de Belo Horizonte, a exposição situa-se em um cenário de fortalecimento da cena de artes visuais contemporâneas. A abertura do Instituto Inhotim em 2008 e do Circuito Liberdade em 2010 funcionaram como catalisadores para o desenvolvimento de um ecossistema artístico mais robusto na capital mineira.
Além disso, a efervescência da abordagem educativa em artes visuais, com destaque para o trabalho histórico da Escola Guignard e a penetração do tema em outros cursos, contribuiu para criar uma demanda significativa de espaços de exibição e fomentou a autonomia de artistas na criação de seus próprios ateliês e galerias.
O texto curatorial da mostra enfatiza que a exposição captura um momento singular de transição, no qual a experimentação acadêmica se transforma em prática artística consciente e promissora.
Essa transformação não ocorre de forma linear ou prescritiva; ao contrário, emerge da diversidade temática e técnica que caracteriza as produções. A ideia compartilhada de descoberta da arte como profissão funciona como fio condutor que une todos os trabalhos, independentemente de suas particularidades estéticas ou conceituais.
A mostra permanece aberta até 11 de janeiro, oferecendo ao público de Belo Horizonte a oportunidade de acompanhar de perto as criações que emergem da formação oferecida pela Escola de Belas Artes.
Trata-se, assim, de uma vitrine privilegiada para observar tanto as tendências e preocupações que mobilizam a atual geração de artistas visuais quanto a vitalidade contínua de uma instituição centenária comprometida com o desenvolvimento de práticas artísticas críticas e inovadoras.










