Limeira lança PDTI 2025–2028 e PSI: governança e transformação digital

Limeira lança PDTI 2025–2028 e PSI: governança e transformação digital

A Prefeitura de Limeira publicou no final de dezembro dois decretos estratégicos que redimensionam o planejamento, a governança e a segurança digital do município: o Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTI 2025–2028) e a Política de Segurança da Informação (PSI).

Ambas as medidas representam marcos estruturantes na transformação digital de Limeira, consolidando a tecnologia como instrumento de modernização da gestão pública e de melhoria dos serviços oferecidos à população.

O PDTI reúne em um documento unificado o planejamento oficial da área de tecnologia da informação da administração municipal, estabelecendo metas, projetos e ações voltados à modernização da gestão pública.

O plano foi concebido em alinhamento direto com o Plano Estratégico Municipal e o Programa de Metas 2026–2029, garantindo que cada investimento em tecnologia produza impacto mensurável no atendimento ao cidadão.

Entre os principais avanços previstos pelo PDTI estão a ampliação do suporte técnico disponível aos servidores e à população, a modernização completa do datacenter municipal, a atualização do parque tecnológico com renovação de equipamentos obsoletos, a integração de sistemas fragmentados em plataformas coesas e a aceleração da digitalização de serviços públicos.

O plano também organiza a gestão dos contratos de tecnologia, promovendo maior eficiência na alocação de recursos e controle mais rigoroso do dinheiro público. Adicionalmente, reforça as práticas de governança corporativa e gestão de riscos, buscando aumentar tanto a confiabilidade quanto a rentabilidade dos investimentos digitais.

Complementarmente, a Política de Segurança da Informação estabelece normas obrigatórias e procedimentos que devem reger a proteção dos dados administrados pela Prefeitura.

O documento fundamenta-se em padrões internacionais reconhecidos de segurança cibernética e está alinhado às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), legislação que impõe rigor significativo à privacidade e confidencialidade das informações em poder de órgãos públicos.

A PSI aborda uma gama ampla de elementos críticos da segurança digital. Entre eles, o controle de acesso e a autenticação de usuários, a classificação de informações de acordo com o nível de sensibilidade, a prevenção e resposta a ataques cibernéticos, a continuidade operacional dos serviços essenciais em caso de incidentes, e a gestão estruturada de crises e incidentes de segurança.

A política também prevê capacitação contínua e obrigatória dos servidores municipais, reconhecendo que a segurança da informação depende tanto de sistemas técnicos quanto do comprometimento e da conscientização de cada membro da administração.

Segundo a Secretaria de Tecnologia e Eficiência, os dois instrumentos funcionam de forma complementar. Enquanto o PDTI define a trajetória e as prioridades para o uso inteligente da tecnologia, a Política de Segurança da Informação estabelece os pilares sobre os quais essa transformação deve se assentar.

Conforme afirmado pelo secretário Roger Willians, "planejar sem proteger não é suficiente, proteger sem planejar também não". A combinação entre visão estratégica de longo prazo e proteção robusta de dados consolida a governança digital de Limeira em bases sólidas.

O prefeito Murilo Félix enfatizou que as medidas refletem o entendimento de que a tecnologia bem aplicada não é um fim em si mesma, mas um meio para atingir objetivos concretos.

A institucionalização desses instrumentos permite atendimento mais ágil ao cidadão, redução de processos burocráticos desnecessários, funcionamento mais estável dos serviços digitais e garantia de que informações sensíveis permaneçam protegidas contra ameaças. Segundo o prefeito, "essa é uma evolução que chega na ponta e melhora a vida das pessoas".

O contexto em que essas medidas foram institucionalizadas é o de uma cidade em processo acelerado de transformação digital. Ao longo de 2025, Limeira desenvolveu e lançou iniciativas que se tornaram referencias municipais: a LIA (Limeira Inteligência Artificial), primeira assistente digital pública do país para atendimento direto à população; o Limeira Digital, plataforma de protocolo eletrônico que alcançou 96,9% de aprovação junto aos usuários; o Agenda Fácil, sistema de agendamento de saúde que reduz filas e otimiza tempo; o IPTU Digital, permitindo pagamento e gestão de tributos pela internet; e o Trampo Limeira, plataforma que conecta demandantes de emprego com empresas locais.

Além disso, o município expandiu a cobertura de wi-fi gratuito, alcançando 47 pontos da administração e mais de 110 ônibus do transporte público.

Esses sistemas e plataformas, contudo, dependem de infraestrutura robusta e proteção confiável para funcionarem de forma segura e permanente. O datacenter municipal necessita de modernização para suportar o aumento exponencial de dados e transações digitais.

O parque de computadores e equipamentos em uso pela administração requer renovação: no último bimestre de 2025, a Prefeitura substituiu 287 computadores em diversos setores, um investimento que representa aumento de agilidade, produtividade e estabilidade operacional.

A estrutura de governança que o PDTI e a PSI estabelecem não é meramente burocrática. Ela responde a um imperativo atual: a transformação digital em escala municipal exige planejamento estruturado, investimento coordenado e proteção permanente contra riscos crescentes.

Ataques cibernéticos a órgãos públicos aumentaram em frequência e sofisticação em todo o Brasil nos últimos anos, tornando a segurança da informação não um luxo, mas uma necessidade operacional.

O alinhamento dessas duas medidas com a legislação federal, particularmente com a Lei Geral de Proteção de Dados e com as diretrizes da Política Nacional de Segurança da Informação, garante que Limeira não apenas inova em soluções locais, mas o faz em conformidade com padrões reconhecidos nacional e internacionalmente.

Isso reduz riscos legais, facilita possíveis parcerias e integrações com outras esferas de governo, e constrói confiança na população quanto ao uso responsável de seus dados.

Os diretores responsáveis pela elaboração dos decretos, Siber Cintra (Tecnologia da Informação) e Danilo Marques (Eficiência), conduziram um trabalho que integrou a visão estratégica com a realidade operacional.

Isso se reflete no equilíbrio entre ambição e viabilidade nos documentos estabelecidos.

O horizonte de quatro anos coberto pelo PDTI (2025–2028) corresponde exatamente ao mandato atual da administração municipal. Isso representa oportunidade para que os objetivos definidos sejam efetivamente perseguidos e monitorados ao longo de todo o ciclo, gerando aprendizados e ajustes contínuos.

A inclusão de métricas e indicadores de desempenho, conforme previsto no plano, permitirá que a população acompanhe, ainda que indiretamente, o progresso das ações.

Limeira posiciona-se, com essas medidas, na frente de um movimento nacional. Muitos municípios ainda carecem de planos diretores de tecnologia e políticas formalizadas de segurança da informação.

A instituição de ambos simultaneamente demonstra maturidade institucional e comprometimento com práticas modernas de governança pública.

A tecnologia, por si, não muda cidades. Mas tecnologia bem planejada, segura e direcionada a resolver problemas concretos da população constitui ferramenta poderosa de transformação.

Com o PDTI e a PSI em vigor, Limeira criou a base estrutural para que essa transformação prossiga de forma ordenada, segura e orientada ao bem público nos próximos anos.

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Gabriela Sampaio

Gabriela Sampaio é Editora-Chefe e uma profissional dedicada, com mais de 8 anos acompanhando de perto o cenário macro da tecnologia. Sua missão é decifrar as grandes tendências de Notícias, Inovação e Ciência que estão redefinindo o futuro.