Chaves do BootROM do PS5 vazam; desbloqueio e pirataria iminentes

Chaves do BootROM do PS5 vazam; desbloqueio e pirataria iminentes

O início de 2026 marca um ponto de inflexão para a segurança do PlayStation 5. Nos últimos dias de 2025, comunidades especializadas em cibersegurança divulgaram o vazamento das chaves criptográficas do BootROM do console, abrindo uma brecha na arquitetura de segurança mais fundamental do hardware.

Diferente de vulnerabilidades anteriores que afetavam apenas camadas de software, esse vazamento atinge o núcleo físico de proteção da máquina—algo que especialistas definem como "irrecuperável" por meio de qualquer atualização.

As chaves vazadas são códigos hexadecimais gravados fisicamente no chip APU do console durante a fabricação. Seu propósito é validar o BootROM imutável, o primeiro código executado quando o aparelho é ligado, garantindo que apenas firmware autorizado pela Sony seja carregado.

Com essas chaves agora públicas, hackers e pesquisadores possuem a ferramenta necessária para descriptografar e analisar o Bootloader, compreendendo a chamada "Cadeia de Confiança" do sistema desde o momento exato em que o botão de energia é acionado.

O problema central para a Sony é que essa falha é permanente. Diferente de exploits anteriores que exploravam vulnerabilidades no kernel ou no navegador Webkit—brechas que podiam ser fechadas com atualizações de firmware—as chaves do BootROM não podem ser alteradas via software.

Se a Sony tentasse modificá-las por meio de uma atualização, o BootROM físico não reconheceria o novo sistema, impedindo que o console ligasse. A única solução definitiva seria uma revisão completa de hardware, com novos chips e chaves diferentes gravadas na fábrica.

Essa característica torna todos os milhões de consoles já fabricados—aproximadamente 85 milhões de unidades vendidas até o final de 2025—permanentemente vulneráveis a futuros exploits derivados desse vazamento.

Em essência, cada PS5 em circulação tornou-se um alvo potencial para modificação sem possibilidade de remediação via software.

O Catalisador: Star Wars Racer Revenge

Enquanto as chaves ROM abrem o caminho conceitual para o desbloqueio, foi um jogo esquecido que proporcionou o mecanismo prático para explorá-las.

Em 31 de dezembro de 2025, o desenvolvedor Gezine—figura proeminente na comunidade de jailbreak—revelou que uma edição física em disco de Star Wars Racer Revenge para PlayStation 4 seria a chave para desbloquear o PS5 até a versão de firmware 12.00.

O jogo, identificado pelo código CUSA03474, foi relançado pela Limited Run Games em 2019 em quantidade limitada, com apenas entre 8.500 e 10.000 cópias produzidas. Sua relevância técnica reside em um bug antigo presente no menu Hall of Fame—uma vulnerabilidade que permaneceu sem patch por mais de uma década.

Ao explorar esse bug através do exploit Mast1c0re, pesquisadores conseguem injetar código não autorizado diretamente no sistema do console, abrindo caminho para a execução de instruções que normalmente seriam bloqueadas.youtube

A descoberta provocou uma reação de mercado imediata. Antes do anúncio, cópias de Star Wars Racer Revenge vendiam-se por aproximadamente vinte dólares. Após a revelação, em questão de horas, o preço disparou para entre trezentos e quatrocentos dólares em plataformas de revenda como eBay.

A escassez de cópias—resultado da limitada tiragem original—transformou o jogo em item de especulação, com dezenas de listagens competindo por unidades raras.

Como a Vulnerabilidade Funciona

A exploração segue uma sequência técnica precisa. O console precisaria estar em firmware 12.00 ou inferior, e o disco físico seria necessário para ativar o exploit no menu Hall of Fame.

O bug explorado permite que desenvolvedores alcancem uma camada de execução onde código malformado consegue contornar as proteções de segurança do console. Uma vez dentro dessa camada, o passo seguinte seria encadear esse acesso com exploits adicionais do kernel para obter controle total sobre o hardware.youtube

É importante notar que, neste momento inicial, o exploit ainda está sendo refinado pelos desenvolvedores e não está disponível publicamente. Gezine indicou que o código seria lançado após polimento adicional, sinalizando uma implementação iminente mas ainda não finalizada.

Mesmo assim, a confirmação da viabilidade técnica desencadeou reações em cascata entre colecionadores, entusiastas de homebrew e aqueles interessados em preservação digital.

Perspectivas para 2026: Uma Iminência Bem Definida

Especialistas antecipam que 2026 será o ano em que o desbloqueio do PS5 se solidificará em múltiplas camadas. Atualmente, o console pode ser desbloqueado até a firmware 10.01 através de exploits alternativos que não exigem mídia física—métodos como o Y2JB que funcionam através de aplicativos do YouTube e Netflix.

O novo exploit do Star Wars Racer Revenge estende essa capacidade até a versão 12.00, enquanto pesquisadores continuam trabalhando em soluções para firmware ainda mais recentes.youtube

A comunidade de segurança prevê que, ao longo dos próximos meses, surgirão ferramentas mais sofisticadas e estáveis, permitindo a criação de firmware customizados, execução de emuladores e, inevitavelmente, distribuição de cópias piratas de jogos.

O analista The CyberSecGuru sugere que "veremos backups de jogos mais sofisticados e loaders aparecendo em 2026" e que "esse vazamento encurta significativamente a linha do tempo para pirataria em massa".

Diferente do cenário anterior em que cada atualização de firmware representava uma corrida entre a Sony corrigir brechas e hackers descobrir novas, dessa vez a dinâmica mudou fundamentalmente. As chaves ROM, uma vez públicas, permanecerão públicas.

Qualquer novo firmware que a Sony lance será analisado com acesso às chaves criptográficas, potencialmente revelando novas camadas de vulnerabilidade. É um cenário que se assemelha ao que ocorreu com o PlayStation 3 após o desbloqueio por George Hotz em 2010, porém com profundidade ainda maior no nível de hardware.

O Precedente do PlayStation 3

O desbloqueio do PlayStation 3 oferece uma lente histórica para compreender as consequências potenciais. George Hotz, pioneiro do jailbreak, conseguiu contornar as proteções criptográficas do PS3 em 2010, resultando em um processo legal contra a Sony e seus associados.

O desdobramento foi uma pirataria em massa—estimativas indicam que cópias piratas de jogos predominaram no mercado durante anos, comprometendo significativamente os modelos de receita da fabricante.

Embora essa história ofereça um paralelo preocupante, as circunstâncias não são idênticas. O mercado de consoles evoluiu, a segurança digital aprimorou-se em outros aspectos, e a Sony dispõe de ferramentas adicionais para proteger seus serviços—banimento de contas, restrições na PlayStation Network e ações legais contra distribuidores de ferramentas de desbloqueio.

Mesmo assim, o histórico sugere que a companhia enfrentará desafios substanciais em conter o impacto dessa vulnerabilidade.

Implicações Econômicas e Estratégicas

Para a Sony, o cenário é economicamente grave. A empresa subsidiou o preço do hardware PS5 para lucrar principalmente com a venda de jogos, serviços de assinatura e transações digitais.

Um desbloqueio generalizado do console reduziria drasticamente esses fluxos de receita, especialmente em mercados periféricos como o Brasil, onde a pirataria historicamente representa uma proporção significativa do consumo de games.

A única estratégia de longo prazo viável para a Sony seria lançar uma revisão de hardware—um modelo "v2" do PS5 com novos chips contendo chaves criptográficas distintas. Isso representaria um custo operacional substancial e uma complexidade logística enorme.

Especialistas já especulam que a Sony pode considerar tal medida ainda em 2026, particularmente para futuras produções, deixando o hardware existente permanentemente vulnerável.youtube

As ações legais contra responsáveis pelo vazamento e contra distribuidores de ferramentas de desbloqueio são praticamente certas.

Já há precedentes de publicações de pesquisadores terem suas contas removidas de plataformas devido a avisos DMCA—o que sugere que a Sony está monitorando atentamente a situação e agirá para conter a disseminação pública de exploits.

O Contexto Brasileiro e a Acessibilidade

No Brasil, o mercado de videogames sempre enfrentou desafios estruturais. A combinação de impostos elevados, preços de importação e a escassez oficial de suporte da Sony criou historicamente um vácuo preenchido pela pirataria.

Durante a era do PlayStation 2, cópias piratas chegavam a custar um décimo do preço dos jogos originais, democratizando o acesso mas comprometendo as receitas da fabricante.

O vazamento das chaves ROM reabre esse cenário potencial. Para consumidores brasileiros com consoles PS5, a possibilidade de desbloquear o aparelho e acessar uma biblioteca de jogos sem custos adicionais representa uma mudança econômica significativa—especialmente em contexto onde um jogo original pode custar entre trezentos e quatrocentos reais.

Isso não invalida a experiência legítima dos jogadores, mas cria uma pressão competitiva que a indústria deverá considerar em suas estratégias de preço e distribuição.

O Que Esperar nos Próximos Meses

Ao longo de janeiro de 2026, espera-se que Gezine publique o código refinado do exploit Mast1c0re para firmware 12.00, seguido por uma proliferação de tutoriais, ferramentas de automação e, inevitavelmente, repositórios de cópias de jogos não autorizadas.

Pesquisadores continuarão mapeando as camadas de segurança do PS5, buscando novos pontos de entrada e mecanismos para contornar as proteções posteriores ao BootROM.youtube

A Sony, por sua vez, enfrentará uma escolha estratégica: ou investe em controle de danos via vigilância de contas, banimentos e ações legais, ou acelera o desenvolvimento de uma revisão de hardware que torne essas chaves vazadas inúteis.

Enquanto isso, consumidores interessados em homebrew e preservação digital terão acesso inédito a ferramentas e possibilidades que antes eram restritas a um círculo muito reduzido de pesquisadores.

O vazamento das chaves ROM do PlayStation 5 representa um ponto de ruptura na arquitetura de segurança de consoles modernos. Diferente de vulnerabilidades anteriores que podiam ser corrigidas, essa brecha é permanente e afeta bilhões de dólares em equipamentos já em circulação.

O desbloqueio não chegou amanhã, mas os alicerces para sua inevitabilidade foram definitivamente assentados. Para a Sony, a questão deixa de ser "se" para "quando" e, mais importante ainda, "como gerenciar as consequências".

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Beatriz Lima

Beatriz Lima é desenvolvedora e analista, focada em traçar a linha entre código e segurança. Com grande experiência em Software, ela se aprofunda nos avanços da Inteligência Artificial e nas melhores práticas de Segurança Cibernética para o cotidiano.