Em outubro de 2025, o Recife consolidou sua posição como epicentro da inovação tecnológica brasileira, registrando um desempenho histórico no mercado de empregos em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) revelam que a capital pernambucana gerou 421 novos postos de trabalho formais no setor, representando um crescimento de 14,8% em comparação com outubro de 2024.
Este resultado expande o estoque mensal de empregos em TIC em 3,42% — taxa expressivamente acima da média nacional — e consolida Recife como responsável por quase 25% de toda a geração de empregos em tecnologia do país no período.
O desempenho recifense contrasta significativamente com os números nacionais. No Brasil, o setor de TIC contabilizou 23.019 admissões e 21.184 desligamentos em outubro, totalizando um saldo positivo de apenas 1.835 vagas formais.
O estoque brasileiro alcançou 648.971 empregos, com crescimento mensal de 0,28% e avanço de 3,25% em relação ao mesmo período do ano anterior. Diante desses números, a contribuição isolada de Recife — representando 23% das novas vagas de TIC do país — assume dimensão ainda mais notável.
Em nível estadual, Pernambuco também apresentou crescimento robusto. O estado registrou 832 admissões e 406 desligamentos em TIC durante outubro, gerando 426 novas vagas formais.
O estoque estadual teve avanço de 3,15% no mês e incremento de 13,2% em relação a outubro de 2024.
O crescimento acelerado no mercado de trabalho em tecnologia acompanha a expansão geral do Porto Digital, principal distrito de inovação da América Latina há mais de duas décadas. Em 2024, o ecossistema atingiu faturamento de R$ 6,2 bilhões, representando crescimento de 14% em relação a 2023.
O número de profissionais empregados alcançou 21.551 colaboradores, consolidando o Recife como terceiro maior segmento no mercado de serviços da capital pernambucana, atrás apenas da saúde e da construção civil.
A ampliação do Porto Digital não resulta apenas de empresas nascentes ou do crescimento orgânico de negócios já estabelecidos. Corporações de grande porte têm escolhido o Recife como base para seus centros de inovação e operações tecnológicas. A chegada recente da Capgemini e EY ao Porto Digital representa marco estratégico para o ecossistema.
Além disso, empresas tradiconais como Bradesco, Solar Coca-Cola e Deloitte iniciaram operações no polo, montando centros de inovação e ampliando suas capacidades digitais. Entre as firmas locais com expansão expressiva, destacam-se a Serttel Soluções em Mobilidade, Avantia Informática, Fusion DMS, Consenso Tecnologia e Tempest Security Intelligence.
A estrutura de 475 empresas instaladas no Porto Digital abrange múltiplos segmentos estratégicos da economia digital. A operação abrange desde produção de software e serviços de tecnologia da informação até economia criativa, especialmente em áreas como desenvolvimento de jogos, cinema, vídeo, animação, música, design e fotografia.
A presença de empresas de inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e outras tecnologias emergentes complementa o portfólio de inovação do distrito.
Pierre Lucena, presidente do Porto Digital, interpreta os números como evidência de um ecossistema vibrante e competitivo. Segundo Lucena, o resultado é consequência de políticas bem articuladas de formação e atração de negócios, construindo um ambiente que atrai tanto empresas quanto profissionais qualificados.
O presidente destaca ainda perspectivas de expansão geográfica, mencionando planos de ampliação do Porto Digital para cidades do interior de Pernambuco. O novo Armazém da Criatividade em Caruaru e o hub programado para Petrolina representam estratégias de descentralização do desenvolvimento tecnológico no estado.
O apoio governamental ao ecossistema reflete-se em investimentos estruturados. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, destacou recentemente o maior aporte da história para o Porto Digital: R$ 44,5 milhões destinados à execução de políticas públicas voltadas ao empreendedorismo, transformação digital de cadeias produtivas e infraestrutura de suporte à inovação.
O prefeito do Recife, João Campos, ressaltou o impacto local do polo tecnológico como patrimônio gerador de emprego e renda, enfatizando a solidez da evolução do distrito de inovação. Além disso, programas como o Embarque Digital investem na qualificação e formação de pessoas na área de tecnologia, fortalecendo o pipeline de talentos para o mercado local.
O setor de tecnologia em Recife continua expandindo suas ofertas de oportunidades profissionais. Distintos níveis de experiência encontram espaço no mercado — desde estágios para estudantes em áreas como design, desenvolvimento mobile com React Native e programação em Python até posições sêniores em consultoria SAP, segurança da informação, liderança técnica e gestão comercial.
A diversidade de modalidades contratuais (presencial, híbrida) e iniciativas afirmativas voltadas a pessoas com deficiência refletem um mercado dinâmico e inclusivo.
A trajetória do Porto Digital, fundado em 2000, consolida a cidade do Recife como potência regional em inovação tecnológica. Reconhecido pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologia (Anprotec) como melhor parque tecnológico ou habitat da inovação do país em três ocasiões (2007, 2011 e 2015), o distrito operacionaliza visão estratégica de transformação digital e desenvolvimento econômico.
A concentração de talentos, infraestrutura sofisticada e ambiente colaborativo estabelecido ao longo de duas décadas continua atraindo empresas e profissionais dispostos a participar da transformação digital brasileira, confirmando que o crescimento recente não decorre de fatores conjunturais, mas de alicerces sólidos construídos sistematicamente.

