Operação Absolute Resolve: EUA usam ciberataques, satélites em ação

Operação Absolute Resolve: EUA usam ciberataques, satélites em ação

Na madrugada do sábado, 3 de janeiro de 2026, as forças militares dos Estados Unidos conduziram uma operação que marcou um ponto de inflexão na doutrina militar moderna.

A captura de Nicolás Maduro na Venezuela não foi apenas um sucesso de execução táctica, mas a manifestação prática de uma integração inédita entre três domínios tecnológicos que redefinem a guerra contemporânea: ciberataques coordenados, guerra eletrônica saturada e vigilância satellital em tempo real.

A denominada Operação Absolute Resolve envolveu mais de 150 aeronaves lançadas de vinte localizações diferentes no hemisfério ocidental. Porém, o verdadeiro trunfo não residiu na quantidade de plataformas aéreas, mas na sincronização perfeita entre entidades que tradicionalmente operavam de forma isolada: o Comando Cibernético dos EUA, o Comando Espacial dos EUA e as forças aéreas convencionais.

Segundo o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, o sucesso da operação foi predeterminado pela "compressão da cadeia de morte", um conceito que resume a eliminação de atrasos entre a detecção de alvos e sua neutralização.

A Desativação do Escudo Eletrônico

O primeiro movimento da operação consistiu não em bombardeios espectaculares, mas em um ataque silencioso ao tecido nervoso das defesas venezuelanas.

Helicópteros CH-47G Chinook adentraram o espaço aéreo de Caracas a apenas 100 pés de altitude, em total escuridão, guiados por sinais de posicionamento global mantidos sob proteção absoluta pelo Comando Espacial dos EUA. Para que essa proeza fosse possível, sistemas de defesa aérea que haviam permanecido intactos precisavam estar neutralizados.

Os militares americanos empregaram aeronaves especializadas de guerra eletrônica, particularmente os EA-18G Growlers, para executar uma degradação sistemática das capacidades defensivas venezuelanas.

Estes equipamentos funcionam não através de explosivos convencionais, mas pela projeção de energia eletromagnética de tal magnitude que confundem sensores, interrompem comunicações e inutilizam radares avançados.

O arsenal defensivo da Venezuela incluía sistemas sofisticados adquiridos de potências militares como Rússia e China. Radares tridimensionais JYL-1 e sistemas de detecção de aeronaves furtivas JY-27, ambos de origem chinesa, deveriam representar obstáculos significativos.

Complementando esse escudo, os complexos S-300V e Buk-M2 de fabricação russa formavam a segunda camada de defesa. Estas armas foram concebidas especificamente para resistir a campanhas aéreas prolongadas e coordenadas. O que os projetistas não contemplaram foi o isolamento eletrônico completo.

As operações de guerra eletrônica estadunidenses não se limitaram a jamming simples. Conforme análises subsequentes indicaram, a estratégia envolveu a degradação da rede de comando, comunicações e poder que sustentava toda a arquitetura defensiva.

Sem centros de comando funcional, sem enlaces de dados para coordenar múltiplas unidades de defesa, sem energia estável para manter radares em operação, os sistemas tornaram-se esqueletos tecnológicos incapazes de reação. A Venezuela possuía as armas, mas não possuía os nervos para utilizá-las.

A Convergência Cibernética

Simultaneamente aos ataques de guerra eletrônica, operadores cibernéticos dos EUA executavam uma segunda frente de desativação.

Enquanto os Growlers bloqueavam o espectro eletromagnético, equipes de cyber operadores atacavam as infraestruturas de comando e controle por vias digitais.

O alvo principal foi Cerro El Volcán, o ponto estratégico que hospeda a principal antena de transmissão e toda a infraestrutura de comunicações por satélite da capital.

Moradores de Caracas relataram apagões em diversos bairros no momento exato da incursão, confirmando que o ataque cibernético-eletrônico havia alcançado alvos críticos de infraestrutura energética. Os sistemas de comunicação foram neutralizados. O suprimento de energia foi interrompido. A internet foi bloqueada. As comunicações por rádio tornaram-se inoperantes.

Esta convergência entre cyber e guerra eletrônica não é acidental. A doutrina militar estadunidense reconheceu que estes dois domínios são complementares: enquanto a guerra eletrônica atua no espectro eletromagnético físico, os ataques cibernéticos exploram as vulnerabilidades dos sistemas informatizados que gerenciam esse mesmo espectro.

Um radar moderno não funciona sem computadores. Um sistema de defesa aérea integrada não opera sem redes de dados. Destruir os computadores enquanto simultaneamente se jamming os sinais cria um colapso total.

O Olho Desde o Céu

A terceira dimensão da operação proveio do espaço. O Comando Espacial dos EUA forneceu capacidades de vigilância e posicionamento que permitiram o sucesso logístico da operação.

Satélites de imagética forneceram monitoramento de alta definição em tempo real da movimentação de Maduro e de sua localização dentro do complexo militar de Fort Tiuna. Sistemas de posicionamento, navegação e timing (PNT) mantiveram os helicópteros em rota precisa pela escuridão.

O papel dos satélites transcendeu a mera observação remota. Estes sistemas integraram dados coletados de múltiplas plataformas—aviões, drones, sensores terrestres—em um fluxo de informações contínuo que alimentava os comandantes.

Os satélites funcionaram como processadores centrais de inteligência, sincronizando informações de tal forma que os tempos de reação foram comprimidos para segundos.

O RQ-170 Sentinel, drone de vigilância de alta tecnologia, fornecia rastreamento dinâmico dos alvos.

A combinação de imagética satelital de alta definição com inteligência de tempo real permitiu que os comandantes tivessem visibilidade completa da operação desde o início até a extração de pessoal.

A Integração Sem Precedentes

O aspecto mais relevante da Operação Absolute Resolve reside na integração coordenada destes três pilares de forma sistêmica.

Não se tratava de ataques isolados—cyber aqui, guerra eletrônica ali, satélites em outro lugar—mas de uma sinfonia orquestrada onde cada componente reforçava os demais.

O analista Salvador Raza, diretor do Instituto Cetris e especialista em segurança internacional, declarou que a operação foi "sem precedentes do ponto de vista militar". O "choque" identificado por especialistas internacionais adveio particularmente da neutralização fácil de um dos sistemas de detecção mais sofisticados do mundo com uma "certa facilidade".

Isso não ocorreu porque o equipamento era ineficiente. Ocorreu porque nenhum sistema singular, por mais avançado, resiste ao isolamento eletrônico total combinado com neutralização cibernética.

As defesas venezuelanas colapsaram não por falha de seus componentes isolados, mas por quebra de sua integração.

Quando um radar não pode comunicar com seu centro de comando porque a rede foi atacada ciberneticamente, quando não há energia porque a infraestrutura foi atacada, quando não há sinais GPS disponíveis porque foram interceptados, quando a antena de satélite foi desativada—o sistema inteiro falha.

Implicações para a Doutrina Militar

O Departamento de Defesa dos EUA reconheceu, através de seus documentos estratégicos, que a integração de cyber e guerra eletrônica é essencial para o sucesso em conflitos futuros.

A razão é estrutural: sistemas militares modernos operam através da exploração do espectro eletromagnético. A defesa cibernética de redes de dados não pode ser separada da defesa do espectro eletromagnético onde esses dados trafegam.

A Força Aérea Espacial dos EUA, em alinhamento com essa doutrina, estabeleceu centros de operações especializados para sincronizar capacidades de guerra eletrônica espacial. O Combat Forces Command criou o Space Electronic Warfare Tactical Operations Center (SEWTOC) para integrar sistemas como Bounty Hunter e jammers de longo alcance sob controle centralizado.

A intenção explícita é permitir que operadores localizados em um continente controlem efeitos de guerra eletrônica projetados desde o espaço para múltiplas áreas de responsabilidade operacional.

Essa transformação doutrinária contrasta com as práticas históricas. Tradicionalmente, guerra eletrônica era responsabilidade da aviação, operações cibernéticas pertenciam a comandos especializados, e satélites eram gerenciados por agências espaciais.

A inovação operacional dos EUA integrou estas três esferas sob um comando unificado, com objetivos compartilhados e cronograma sincronizado.

O Contexto de Competição Global

A integração demonstrada na Venezuela ocorre em um contexto onde potências adversárias avançam rapidamente em capacidades similares. Rússia desenvolveu capacidades integradas de cyber e guerra eletrônica durante operações na Síria e Ucrânia.

China enfatiza em sua doutrina que o domínio do ciberespaço e do espectro eletromagnético é pré-condição para alcançar supremacia militar em qualquer domínio. Não integrar estes sistemas deixaria os EUA vulneráveis a uma assimetria desfavorável.

A operação na Venezuela representa um teste operacional bem-sucedido de conceitos que os EUA desenvolveu nos últimos anos, em resposta direta às ameaças identificadas por adversários bem-equipados.

O sucesso relativo contra uma potência de defesa média sugere que a integração funciona em cenários de menor complexidade. A verdadeira prova virá em eventual conflito contra potências com capacidades equivalentes ou superiores em guerra eletrônica e ataque cibernético.

Lições para Segurança Futura

A operação revelou que nenhum sistema de defesa, por mais tecnologicamente avançado, pode resistir a um ataque coordenado através de múltiplos vetores. Radares sofisticados não protegem sem energia. Mísseis não funcionam sem comando. Comunicações não ocorrem sem infraestrutura digital intacta.

Esta verdade, óbvia em retrospecto, tornou-se uma realidade operacional visceral para as forças venezuelanas e uma lição para outras nações que investem em equipamento militar sem pensar na integração de defesa cibernética, eletrônica e espacial.

Para potências médias e menores, a mensagem é clara: adquirir armas avançadas oferece proteção limitada sem um escudo integrado de defesa cibernética e eletrônica.

Para potências maiores, a lição é que o futuro dos conflitos militares pertence àqueles que conseguem sincronizar ataques através de domínios que historicamente operavam de forma isolada.

A captura de Maduro será lembrada menos pelos aspectos políticos que envolveram e mais pela demonstração prática de uma transformação militar em andamento: a fusão perfeita entre ciberespaço, espectro eletromagnético e vigilância espacial em uma campanha que alcançou seus objetivos sem sofrer perdas significativas.

Foi uma operação que não apenas venceu, mas que refinou uma nova linguagem de guerra que outras nações observam com atenção e preocupação.

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Beatriz Lima

Beatriz Lima é desenvolvedora e analista, focada em traçar a linha entre código e segurança. Com grande experiência em Software, ela se aprofunda nos avanços da Inteligência Artificial e nas melhores práticas de Segurança Cibernética para o cotidiano.